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20 setembro 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #27


Turbilhão

Mal tive tempo para ressacar dos festivais e já estava a ser atirada para um caos covidico-universitário. Tivemos uma primeira aula de apresentação por Zoom, pela directora do curso e o reitor da faculdade e, resumindo, por causa das instalações serem relativamente pequenas e antiquadas, o edifício é do séc.XIII, dividiram as turmas da licenciatura e mestrado pelas diversas salas e nós, do doutoramento, que somos menos, ficámos com o que sobrou e ainda não está tudo definido. Em cima disso, passei uma tarde inteira a preencher uma série de formulários, a maioria muito pouco intuitivos, espero ter preenchido tudo como deve ser... Espero também que em Outubro já haja alguma consistência até para poder tentar arranjar um trabalho, e que tenha o cartão de estudante para aproveitar os descontos. Para já vou tentar ir ao máximo de aulas presenciais possível e esperar que corra tudo bem.

Entretanto estive a ajudar numa mudança de casa, coisa que nunca é fácil para mim, e, com a idade e a inércia covídica, vai ficando também fisicamente mais cansativo. Mas está quase tudo feito, agora também tenho mais disponibilidade para ajudar e as novas instalações são muito simpáticas.

O tempo também já está a colaborar e chegou uma chuvinha outonal, mesmo que com uma temperatura ainda alta, que é muito bem-vinda! Espero receber logo, preciso de arranjar sapatos e algumas peças de roupa básicas.

Na TV terminei de ver os The Durrells, que é daquelas séries que vou ter pena de ter terminado. Como brinde, a BBC produziu um pequeno documentário a contar o que lhes aconteceu depois dos tempos em Corfu, grande parte da informação já sabia, mas foi bom ver com imagens associadas.

15 setembro 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #26

The Horror!
Um dia de pausa entre festivais, que acabou por ser 2 em parte por distracção, fez com que não me preparasse convenientemente para a maratona que é o MOTELx. Felizmente tinha ingredientes em casa para fazer salada de feijão frade com atum, que serão os meus jantares, ou parte deles. Os almoços estavam mais ou menos controlados, mas vou ter de fazer compras às mijinhas antes de ir para o São Jorge.
Apesar de o IndieLisboa ter corrido com imensa tranquilidade, o MOTELx está a deixar-me ansiosa. Aquelas multidões habituais não são nada bem-vindas, e não saber se vou ter bilhetes ou não poder escolher o lugar, são pequenas coisas que agora não posso controlar, as quais me fazem sofrer por antecipação. Como no ano passado, vou tentar tirar o melhor proveito possível do festival e conviver com algumas das minhas pessoas preferidas <3

O MOTELx 2020  terminou. Foi bastante divertido e, como previa, a melhor parte foi poder ver caras amigas após meses (tantas saudades!), e ainda apanhei uma barrigada de filmes. Foi a primeira vez desde Março que entrei numa sala de cinema (a última terá sido no CinePop?) e senti-me muito mais segura nas salas do São Jorge e imediações que nos 20 e tal minutos de percurso de Metro, que inclui uma mudança de linha. A propósito de Metro, parabéns ao DJ de serviço, numa só semana reparei em canções dos Joy Division, Rock the Casbah, dos Clash e Franz Ferdinand! Nunca pensei! E a máscara tem as suas vantagens, podemos trautear as músicas com mais descrição :D À noitinha os grilos embalaram os meus regressos a casa, que variaram entre ir a pé, até ter boleia.

Este ano, por causa das medidas sanitárias, não houve praticamente decoração nenhuma no MOTELx e senti falta do lounge no estacionamento. Nesse local instalaram umas barraquinhas a vender merchandise oficial do MOTELx e livros, mas tentei não olhar muito para lá, o orçamento está pequenino, pequenino. Mas, entre as casinhas, os arbustos, a guirlanda de luzes e as letras iluminadas a dizer MOTELX, parecia mais uma feira de Natal antecipada (I cannot unsee! XD). Quanto a filmes, para além de alguns clássicos, que aproveitei para ver em sala, cada vez há menos filmes mesmo assustadores e os estilos que gosto mais, sobrenatural, filmes de sugestão ou ultra kitsch, eram poucos este ano. Gostei imenso do brasileiro Macabro, dos que vi foi mesmo o melhor de todos, gostei bastante do Relic e ainda vi mais uns quantos decentes, mas que não me entusiasmaram. Maus filmes não vi nenhum. Bom, talvez o Grizzly II, mas sempre deu para rir de vez em quando e era curtinho.
Houve dois temas mais ou menos transversais: casas e intrusos. Três filmes com o título "intruso", uma longa vintage (do Corman), um recente e uma curta portuguesa. Os das casas eram o Relic, o Amulet e o People Under the Stairs. Talvez houvesse mais, mas não me consigo desdobrar em duas e este ano quase não vi sessões antes das 18h.

Neste interregno, andei a stressar por causa do início das aulas, não havia informação nenhuma para além do início oficial a dia 15, mas já tive notícias da faculdade, a primeira aula será em Zoom e já instalei a cena. A vantagem é que posso estar descalça, estou com as sandálias todas a morrer...

Vi pouca coisa na TV, mas vi o filme Black Panther, não é mau, é muito bonito, a história é boa, tem bons actores, mas também não achei nada de surpreendente. E comecei a ver a 4ª e última temporada dos The Durrells. Tenho de arranjar os livros do Gerald e ler a Trilogia de Corfu como deve ser.

08 setembro 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #25


Civismo
Na semana em que uma série de gente conservadora assinou um manifesto contra as aulas de Cidadania nas escolas -- choque! tenho 90% de certeza que um deles foi meu colega na primária! -- concretamente para a possibilidade de objecção de consciência para as mesmas, constato, nas minhas idas e vindas para o trabalho e pontuais passeios pelo centro da cidade, que essas aulas fazem muito mais falta do que parece. As constantes faltas de respeito e de civismo com que me tenho deparado diariamente nos transportes públicos, nas ruas e nos acessos ao meu local de trabalho são chocantes. Mais ainda à luz de todas as novas regras de socialização impostas pela pandemia. Também detesto andar de máscara, sobretudo com esta caloraça, mas tentei tirar partido disso, fiz as minhas máscaras, coloridas, divertidas, e uso-as sempre que necessário. Detesto não poder abraçar os meus amigos, de quem tenho imensas saudades, mas fico contente por não ter gente colada a mim no metro. Mas... continua a haver pequenos incidentes, que noutras circunstâncias ninguém daria importância (eu dava, mas sou esquisita), mas que se uma pessoa chama a atenção para elas, sei lá, má colocação da máscara, sentarem-se ao nosso lado, quando há lugares vazios nos transportes, encontrões, etc. anda por aí muita flor de estufa ofendida e nós é que somos as aves raras x_x
E já reabriu o átrio Norte da estação do Areeiro, há cerca de uma semana, mas só o estreei nesta. Está bonitinho e mantiveram os azulejos da Maria Keil. Mas questiono sempre o uso de um material tão liso e polido como o liós nas escadas. Ao menos as tiras reflectoras podiam ser de um material com mais atrito.

No trabalho tudo tranquilo e um pó calypso controlado. Álcool gel por todo o lado, uso de máscaras nas áreas interiores, respeito geral pelas regras de higiene e segurança. O trabalho tem-se desenrolado com imensa calma e nada da adrenalina e stress típicos. Mas sair de casa todos os dias custou um bocado, fisicamente ao início, devido à inércia dos últimos meses e o calor insuportável. Agora, que o meu corpo já está a habituar-se à rotina, veio o cansaço mental, já só quero estar fechada em casa. Pelos vistos a interacção social também precisa de exercício, senão torna-se mais cansativa. Mas, por outro lado, estou muito contente por finalmente encontrar muitos dos meus, amigos para a semana no MOTELx!
Tenho andado a stressar com as coisas da faculdade, não está quase nenhuma informação online, os formulários da área do aluno são pouco claros e, ao fim de 5 dias, ainda não me responderam ao email a pedir a confirmação das coisas.

Na TV, tenho visto o novo Masterchef Australia ao almoço. Vou sentir sempre a falta do Matt, do Gary e do George, mas esta temporada de transição está a ser fixe e temos o sotaque Glaswegian do Jock para compensar. Terminou e muito bem Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D., em vez de dedicarem 3 ou 4 episódios a um final escrevinhado à pressa, onde toda a resolução está no último episódio, toda a última temporada foi escrita em redor do final, com um enredo digno de Doctor Who, sendo o desfecho plausível, interessante e muito satisfatório. E vai estrear a 4ª temporada dos Durrells, a 2ª de Twilight Zone e repôs a Galactica original.

30 agosto 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #24


De volta a uma rotina quase normal
Esta semana comecei a trabalhar, presencialmente, no Festival IndieLisboa, adiado de Abril/Maio, por causa do pó calypso, para agora, Agosto/Setembro. Estava um pouco apreensiva quanto às questões de segurança no primeiro dia, mas li o briefing do festival uns dias antes e a equipa do Sâo Jorge não se poupou a esforços nesse sentido. Nos dias seguintes já fui trabalhar com alguma tranquilidade. Se não fosse a caloraça, estava na maior.

Em geral tenho ido trabalhar de metro, linha vermelha > linha azul, e como não há turistas, o metro também tem sido um descanso relativo. E há dispensadores de álcool-gel no metro! Estão é bastante escondidos e não há muitos, parece que é para não se gastar. E já vou a meio do Something Wicked This Way Comes!
Como tenho tido mais tempo que o costume, o festival está com as sessões mais espaçadas, portanto tem menos sessões, tenho aproveitado um bocadinho para passear. No outro dia dei um pulo à Baixa e, na ida para cima, resolvi comprar qualquer coisa para lanchar no Pingo Doce da Baixa, o único supermercado nas imediações. NEM TÃO CEDO PONHO LÁ OS PÉS! Desde Março que nunca me senti tão insegura num espaço fechado, a raiar o pânico. Aquele supermercado, em circunstâncias normais, já é o que é, um horror, acho que só superado pelo Pingo Doce do Cais do Sodré, mas pensava eu que a gerência do supermercado tinha tomado medidas anti-Covid, mas pelos vistos estão-se a cagar! Gel à porta? Não. Lotação controlada? Não. Respeito pelo distanciamento social? A configuração do recinto não ajuda, mas os clientes também se estavam marimbando. Caixas rápidas e todas a funcionar? Não. Para além de ter esperado uma eternidade para pagar 2 produtos, tive um pequeno stress enquanto esperava, por uma criancinha francesa que só não veio contra mim porque eu fugi. Sim, estava apinhado de turistas. Aliás, desta vez a Baixa parecia quase normal, já não senti aquela tranquilidade dos anos 80-90, mas, pelo lado positivo, o único ciclista que se cruzou comigo na Rua do Ouro, ia no asfalto! Foi uma primeira vez, aliás não percebo a insistência dos ciclistas em andar no passeio na Rua do Ouro... Não é que o trânsito na Baixa seja perigoso. Não é! Por outro lado, na Avenida da Liberdade, é só ciclistas em cima da calçada histórica, com ciclovias assinaladas nas vias laterais.
Ah, pessoas nos estabelecimentos, sobretudo centros comerciais, que assinalem melhor os novos horários e as entradas que estão a funcionar e as que não estão, por favor! Quase todos os sítios a que regressei esta semana tive algum problema com falhas do género.

Filmes esta semana, só do IndieLisboa, mas passou As Recordações da Casa Amarela, um Godard e Extinção, de Salomé Lamas, nas RTP-ses, pus a gravar para ver quando tiver um pouco mais de tempo.

24 agosto 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #23

 

Preparando uma maratona de trabalho
Esta semana tem sido dedicada quase inteiramente a trabalho, em casa, e a tratar de coisas para o início do ano lectivo. Fiz um reajuste da metodologia de trabalho caseiro, que tinha mudado e dispersado um bocado quando o portátil estava vivo.
Resumindo, como já não faço tudo numa única divisão, voltei a ter turnos um pouco mais disciplinados de trabalho, com a ocasional curta interrupção nas redes sociais, através do telesperto. Acompanhada pela minha garrafinha de água do Diabolik, a mini ventoinha e mp3 a gosto, quando não preciso do áudio para trabalhar, faz-se bem. Normalmente oiço a Rádio Oxigénio, mas como este PC é velho, não quero abusar da memória e largura de banda, ao por a rádio a tocar. O link que tinha no Media Player já não deve existir, não funciona. Já não estou é habituada a estar muitas horas sentada na cadeira de escritório. A cadeira é confortável, mas as minhas costas habituaram-se a estar refasteladas no sofá :'D

Nos intervalos, tenho andado a preparar-me para a maratona de mais de 2 semanas de festivais de cinema: lavar a roupa, organizá-la, remendar alguma coisa que esteja a precisar de manutenção. Comprar fruta no supermercado para levar e ter o arsenal de máscaras a postos. Reorganizar a mala.
Estou ligeiramente ansiosa por enfrentar o mundo lá fora, mas as medidas de segurança parecem-me razoáveis e a carga de trabalho vai ser muito menor que o costume, portanto não corro o risco de ficar com o sistema imunológico em baixo ou estoirada. E vai ser bom ver mais caras que a família ou as senhoras do supermercado.

Já terminei de ler o Heart of Darkness e comecei a ler Something Wicked This Way Comes, de Ray Bradbury, mesmo a tempo de celebrar o seu 100º aniversário, dia 22! E ontem, 23 de Agosto, teria feito 50 o River Phoenix :'(
Na TV só tenho acompanhado as séries de antes, estou quase a terminar o MacGyver, comecei a ver a nova edição do Masterchef Australia (foram espertos, fizeram uma temporada de transição, para as saudades dos 3 apresentadores originais não serem tão grandes) e para a semana começa a reposição de Battlestar Galactica. Já não revejo a série desde os anos 90, vai saber bem!

14 agosto 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #22

A memória mecânica é uma coisa curiosa
Usei o PC coxo, de onde escrevo agora, muito mais tempo que o PC que morreu. É engraçado perceber como a memória mecânica das minhas mãos a teclar ainda está neste PC e não no outro, que utilizava muito mais, desde que o comprei. Resumindo: teclo muito mais depressa neste, que ainda por cima ainda tem a opção NUM PAD, que me permite inserir caracteres diferentes ☺ Agora é relembrar-me dos códigos dos que usava mais, que desses esqueci-me.Também tenho de criar uma nova rotina, pois este PC é coxo porque há uns anos o ecrã deixou de funcionar. Felizmente ainda tenho o monitor do meu antigo desktop, já morto e esventrado para peças, e pude ligá-lo ao monitor. O chato é que perdeu a portabilidade, acho que nem consigo ligá-lo à TV para ver filmes, snif :'( Tenho de fazer a experiência um dia destes, mas acho que não tem saída HDMi. Só hoje comecei a actualizar certas coisas neste PC, para o poder usar para trabalho e afins.

Esta semana fui de autocarro visitar o meu pai e correu tudo de forma tranquila. O autocarro que apanho, quase directo, ia quase vazio e na volta estava nas mesmas condições, mas evitei a hora de ponta. Tentei fazer as fotos da Lonesome Cowgirl, mas de todas as semanas que poderia ter escolhido para o fazer, tinha de escolher aquela em que ficou mais fresco e o por-do-sol era em tons de azul e cinzento. Nada de laranjas e cor-de-rosa. Vou fazer a sessão amanhã cá em casa, até já fiz um cacto em feltro para compor a paisagem. Estou quase a terminar o Heart of Darkness, "The Horror! The Horror!" Amo a escrita do Conrad, tenho de ler mais livros dele.

Almocei fora (sem contar com a ida à IKEA) pela primeira vez, num restaurante, como manda o figurino. Pizza :9~ Mas envolveu uma luta com o dispensador de gel, que o dispensava em todas as direcções menos as mãos. x_x Começo também a achar que há muito gel aldrabado em muitas lojas e afins...
Esta semana fiz as compras no Lidl, fui a pé e voltei de comboio. Também foi tranquilo e já não me canso tanto, como antes. A descida de temperatura contribuiu, mas também ando a mexer-me um bocadinho mais.
Também já ando a organizar a logística cá de casa para o trabalho no IndieLisboa, mas este ano vai ser super calminho e vou ter montes de tempo livre, por comparação.

Por uma certa inércia, só tenho visto filmes e séries na TV, portanto não tenho grande coisa a acrescentar.

04 agosto 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #20



20 semanas, 5 meses, e esta porra ainda não passou! Nem parece passar tão cedo :'(

Esta semana foi focada no trabalho, tive um filme em duas partes em mãos. O único desvio foi ir ao Carrefour, perdão, Continente de Telheiras, onde encontrei pão alentejano, pão cada vez mais difícil de encontrar, e era mesmo bom. E também fui ao chinês da Avenida de Roma, a minha primeira incursão a Alvalade, em mais de 20 semanas, à procura de ceninhas para a Lonesome Cowgirl. Ainda preciso de um adereço, na semana que vem, sou capaz de ir aos chineses das Avenidas Novas a ver se encontro.
 Ah, o vizinho das obras, ainda não percebi se é mesmo o vizinho do lado, despertou! Mas não me tem incomodado muito, apesar de o barulho ser quase sempre de manhã, mas têm sido só marteladas secas e o ocasional berbequim, que me acordam num primeiro momento, mas depois embalam-me o sono.

Apesar de estar com trabalho, só vou ser paga lá para Setembro, o que significa que o orçamento é limitado. Estando o país ainda em estado de calamidade, pensava que as suspensões de pagamentos seriam até Setembro, mas não, as contas começaram a chegar... Não é nada fácil, sobretudo para os intermitentes como eu.

Na TV vi o velhinho War Games, que não envelheceu nada mal. Creio que a coerência de na parte da tecnologia e ciência estar tudo correcto, Matthew Broderick ser definitivamente um bom actor, bem apoiado pelos adultos, e uma realização firme, fazem o filme de John Badham um filme a ver e rever! Coisa que eu não fazia desde o século passado.
Quanto a séries, estou a gostar muito desta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D., é pena ser a última. As recriações das épocas passadas, sobretudo das épocas que os autores conhecem, como os anos 70 e 80, estão fabulosas e têm tiradas de humor brilhantes, como os genéricos mudarem conforme as épocas, incluindo os logótipos.

25 julho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #19


Cacilheiro
No fim da semana passada atravessei o rio e fui à Secção de Almada ver uma peça de teatro onde participa a minha colega bloguista do Pó Calypso. Porque é a caminho, resolvi sair cedo de casa e dar uma volta na Baixa e espreitar algumas lojas. Acabou por ser um passeio um pouco frustrante, pois a maioria das lojas está a fechar às 18h, o que remonta ao pior da Baixa nos anos 80, quando muitas lojas fechavam a essa hora e à hora do almoço, tornando a Baixa um local desértico e inseguro a partir do pôr-do-sol. As excepções foram a Pollux, onde queria ver as formas de muffins em silicone, pois a minha está a morrer, mas é tudo demasiado pequeno, para cupcakes e eu não sou hipster, não faço nem consumo cupcakes. Vou ter de continuar a procurar. A Tiger também estava aberta mas, milagre dos milagres!, saí de lá sem comprar nada (os snacks não contam). Também consegui ir à Ouro Têxteis e à Feira dos Tecidos. Na Ouro Têxteis queria ver alguns dos algodões estampados, mas com a indecisão acabei por não comprar nada, na Feira dos Tecidos não vi nada de interessante a bons preços. Portanto foi uma ida à Baixa sem compras, o que não deixa de ser inusitado. Comprei umas coisinhas no Martim Moniz, mas nada de especial (ando à procura de fivelas em metal para a minha Lonesome Cowgirl do BRC - tenho de ir ao chinês da Av. de Roma).
Depois de comer qualquer coisa, fui a pé pela beira-rio até ao Cais do Sodré, onde o sossego está a desaparecer lentamente, cruzei-me com imensos turistas italianos.
Apesar de chegar cedo à estação dos barcos, devia ter visto o horário antes, pois acabei por esperar 20 minutos e chegar em cima da hora, sem muito tempo para desfrutar de Almada. Felizmente tinha o Sr. Conrad comigo e o Marlowe encontrou o Kurtz. Achei a viagem tranquila, as pessoas respeitaram a distância, no Metro de Almada também, mas com alguns narizes fora da máscara.

A peça, Assembleia, era engraçada, gostei mais do que da anterior que vi, gostei particularmente da pequena história atribuída à minha amiga. Foi uma experiência revigorante, com todo um novo ritual para entrar, pena que não deu para copos pós peça e o teatro ter a ventilação, com este calor dos infernos, desligada. Tinha a minha ventoínha, mas não queria ligá-la sempre, pois a bateria não dura muito mais que uma hora e faz algum ruído. Tinha de ligá-la sempre que os actores faziam mais barulho.

Esta semana tive uma pequena folga de trabalho, já tenho mais, aproveitei o calor dos infernos e a pausa para finalmente passar um paninho húmido com sabão no vestido de veludo da Yuuko, que, por causa do pêlo e não só, não pode ir à máquina. Penteei bem a peruca, passei o ferro de alisar e guardei-a bem tratadinha. Também voltei às costuras, acabei 3 máscaras - já tenho um bom arsenal para quando trabalhar fora de casa -, fiz mais uma em ganga e já tenho a Lonesome Cowgirl quase acabada. Ando a pensar em como fazer as fotos, acho que desta vez vou fazê-las num jardim aqui perto, ou na Alameda, com o pôr-do-sol como fundo.

Na semana passada acabei por esquecer-me de dizer que revi o My Own Private Idaho, que é um filme muito importante para mim, e que ficou a macerar na minha cabeça por uns bons dias. Que desperdício tão grande a morte de River Phoenix. Acho que é neste filme onde gosto mais dele! E depois, Henrique IV, Shakespeare, Keanu, um filme tão sublime!

17 julho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #18

ainda há esperança para a humanidade...

Ui, que calooor!

Detesto calor, detesto o Verão, usar máscara com o calor custa muito mais! Esta semana chegou uma vaga de calor que me deixou KO. Mesmo assim fui almoçar com a minha mãe à IKEA, e provavelmente será dos sítios mais seguros para almoçar fora, nestes tempos pó calypticos. Para além do controlo de número de clientes, profusão de gel desinfectante por todo o lado, a eliminação do self-service e nós também nos termos prevenido - fomos cedo e à de Loures, que é mais civilizada - contribuiram para uma ingestão de almôndegas em sossego.
Mas na loja, dos clientes, já não se pode dizer o mesmo. A IKEA continua a ser a Disneylândia, continua a haver uma percentagem alta de pessoas que vão lá passear com bebés e, apesar das várias recomendações de distanciamento social, seguir os pecursos assinalados, etc. etc. etc.  fomos várias vezes abalroadas por grupetas de gente que, apesar de a loja estar bastante vazia, tinham de passar encostadinhas a nós. PacMan! Eu, que não tinha objectivo de comprar lá nada, acabei por sair de lá com uma panela e duas frigideiras, para substituir as minhas, já moribundas, e não ultrapassei os €20! O gel na IKEA cheira mal, mas não cheira a bagaço nem a álcool.
Mental note: não voltar a comprar o gaspacho do Lidl... não tem tempero :(
Apercebi-me agora, foi a primeira vez que saí do concelho de Lisboa desde o início do Pó Calypso! No caminho reparei que construíram uma ponte ciclo pedonal em madeira lindíssima na Calçada de Carriche, a coisa mais bonita naquela rua!

Por casa, o trabalho continua a revezar-se, só tenho visto as séries do costume e retomei o Naruto (Shippuuden), via SIC Radical, mas aquilo dobrado em português é estranho, dattebayo! - PORQUÊ!? Também vi o Fistful of Dollars, com o Clint Eastwood. Estou a ter um novo gozo em ver western spaghetti. Estava à espera de, com a morte de Ennio Morricone, aparecerem uns quantos nos canais de cabo, mas nem por isso. Ah, e ando viciada nos canais de YouTube Adam Savage's Tested e Bernardette Banner.

Esta semana não tenho Top Máscara, mas tenho visto muitos, demasiados, narizes de fora. Ah, terminei a máscara gato-vampiro e outra com o resto tigrado da yukata da Lum. Só falta acabar a de mar e tenho já uma boa colecção que me permite trabalhar fora de casa, quando se der a ocasião. Quero comprar uma caixa de madeira no chinês para as pôr, a que tenho é pequena.

10 julho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #17


Vi o meu pai e comi sardinhas!
Ao fim de 17/18 semanas, finalmente estive com o meu pai. Ele veio buscar-me de carro, pois ir a casa dele implica apanhar 2 linhas de metro ou um autocarro, para uma zona que tem tido muitos passageiros. O bairro onde ele mora, onde morei na minha infância, é bastante tranquilo, mas chegar até lá pode não ser e, por causa da idade dele, não quero arriscar, já é risco suficiente eu estar com ele.
Estes novos comportamentos sociais não são fáceis de gerir, sobretudo quando a cidade não está devidamente preparada. Infelizmente há quem tenha de apanhar esses transportes todos os dias, mas também por essas pessoas, prefiro não ser mais uma, já que é coisa que não TENHO de fazer.
Percorremos todos os restaurantes nas imediações, a escolher o que almoçar, o polvo à lagareiro infelizmente tinha acabado de esgotar, mas havia sardinhas assadas e não estavam más. Pelo menos soube bem. Também fomos à velha mercearia do bairro, o Tó Zé, que achei super decadente, com as prateleiras meio vazias, mal conservado, e, apesar de ter gelados da Olá, o nosso objectivo era uma sobremesa, não tinha embalagens de litro. Lembro-me do Tó Zé sempre bem aprovisionado, quase com os produtos a transbordar para a rua, tive alguma pena de ver a mercearia com um ar tão deprimente.
Ao deixar-me perto de casa, aproveitei para ir comprar umas coisinhas que se tinham acabado ao outro bairro vizinho, na realidade o bairro vizinho mais próximo, a Picheleira/Olaias, que já pertence à freguesia do Beato. Outro bairro onde pouca diferença notei nas pessoas, mas não permaneci muito tempo.

Por casa tenho andado ocupada com trabalho, mas vou infiltrando uma ou outra tarefa, como finalmente tratar da peruca da Yuuko, a precisar de cuidados desde Fevereiro. Já está toda penteadinha e levou com o ferro. Aproveitei para dar um jeitinho com o ferro às pontas espetadas da peruca nova da Hokuto, que ficou bem melhor. O próximo vai ser o vestido de veludo, que não pode ir à máquina, eu estava à espera do calor, para lavar à mão as partes que se sujam mais. Tenho feito limpeza superficial, com dodots, etc. sempre que o uso, mas agora já fede >_<

Na TV, vi o filme Atomic Blonde, um filme de espionagem no finzinho da Guerra Fria, passado em Berlim, em 1989, e gostei mais do que estava à espera. Passados 2 episódios, estou a gostar de Good Girls Revolt, Agents of S.H.I.E.L.D. deu uma reviravolta interessante e as outras séries que estou a ver não valem ser mencionadas., excepto o MacGyver, que está a ser uma experiência interessante. Nada de anime, não tenho tido tempo.

02 julho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #16


Andei de metro, fui à Baixa
A Secção Almada veio ter à Secção Alameda/Areeiro e ambas fomos a pé até à secção da Baixa. Descemos a Almirante Reis, coisa que gosto de fazer regularmente, mas não notei grande diferença do antes e depois do bixo, fora pessoas de máscara e gel extra nas lojas. A propósito de máscara, nos Anjos, perto da igreja, é costume andarem sem-abrigo, hoje não foi diferente, mas é mais um problema desta sociedade que veio à tona com a pandemia,. No mínimo as instituições que os ajudam deviam reforçar a distribuição de máscaras, quase nenhum as tinha limpas e andar de máscara ou não, nessas circunstâncias, dá no mesmo. Claro que há muito mais a fazer, mas isto parece-me básico.
TOP MÁSCARA DA SEMANA
~ queremos distribuição de máscaras regular para os sem-abrigo! ~
Na Baixa já senti diferenças. Quando cruzámos aquele limiar entre o Martim Moniz e a Praça da Figueira, parecia estar de volta aos anos 90, bastante menos pessoas na rua, só reparei num TukTuk, e 4 ou 5 turistas. Encontrei uma conhecida na Rua Augusta e reconheci-a pelos óculos escuros giros que arranjou recentemente e mostrou nas redes sociais. Se a Rua Augusta não tivesse esplanadas e ainda existissem algumas das lojas antigas, como a Casa Africana, a Casa Batalha ou a loja das revistas de crochet, acharia que realmente estava nos anos 90.
Estava calor e as minhas pernas já não estão habituadas a mexerem-se tanto. A Feira dos Tecidos tinha muito mais algodões que o costume. Deve ser por causa das máscaras.
Bebemos um belíssimo suminho de abacaxi com gengibre e hortelã, que soube maravilhosamente bem. Pusémos a conversa em dia e separámo-nos no Cais do Sodré.
Apesar de já serem umas 6 da tarde, o metro, felizmente não estava muito cheio. Andei numa carruagem com assentos de cortiça (muito mais higiénicos que os de alcatifa) e as pessoas mantiveram a distância social.

O Projecto Top Secret ainda está de pé e entreguei o IRS, como de costume, no último dia, mas também já está tudo despachado. Como pingou um trabalhinho, tenho estado ocupada. Devo terminá-lo amanhã. Publiquei as fotos do Blythe Runway Challenge (2ª edição) de Junho, cujo tema era Blythe Air, por estarmos todos impedidos de viajar. Como um traje completo de hospedeira (eu sei que agora se chama assistente de bordo, mas optei por um estilo retro) estava na minha lista de coisas a fazer há tempo, alarguei-me e fiz uma série de coisas: um vestido, chapéu, capa, luvas, saco, mala, lenço e brincos. Estou mortinha por saber qual será o tema de Julho!

Aqui na Secção Alameda/Areeiro, a vida continua como de costume, almoço em casa da mamã. Na loja das bebidas ainda é Natal, com direito a árvore cintilante e tudo. Tempos estranhos estes...

Na TV começou a dar a série Good Girls Revolt, que me chamou a atenção pelo guarda roupa do fim dos anos 60, início dos 70 e por incluir entre as personagens, Nora Ephron, que ficou conhecida como argumentista nos anos 80 e 90, de comédias românticas como When Harry Met Sally ou Sleepless in Seattle. A série é sobre a redacção de uma revista e a disparidade entre homens e mulheres. Não desgostei. Também vi uns filmes, How I Live Now, com Saoirse Ronan, cujo cartaz me lembro de ver nos autocarros em Edimburgo, em 2013, que se revelou muito mais interessante (e apocalíptico) do que os cartazes e o título fazem acreditar.

24 junho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #15


Here we go again!
Perdoem-me o inglês, mas soa melhor assim. A malta não sabe ser responsável, e, como na escola, por uns, pagam todos. Devia ser como no México, quem não cumpre as normas de segurança, trabalho comunitário! As coisas voltarem a fechar cedo não me chateia muito, mas como agora já é Verão e os dias muito mais longos, dava jeito que não acontecesse. De qualquer forma, todo o esforço de Março e Abril estar a correr o risco de ter sido em vão, por causa de um bando de inconscientes, é indecente. Ah sim, quando voltei a casa, às 19h45, estavam umas 15-20 pessoas à porta da tasca da esquina, que tem capacidade para umas 8 pessoas, mais 6 na esplanada, que ocupa 80% do passeio.

O assunto do racismo já está a esmorecer nas redes sociais, como infelizmente era previsível. Passou para as estátuas, mas mesmo esse também está a esmorecer. Ainda não há novo tópico quente do momento, mas a Desgraça Fonseca agora inventou outro projecto lindo para aliar a cultura ao combate dos incêndios, com o nome infeliz "Não Brinques com o Fogo". RENDIMENTO MÍNIMO PARA TRABALHADORES INDEPENDENTES, JÁ! Eu tive uma "ameaça" de trabalho, mas até agora nada. Entreguei o projecto Top Secret, mas agora pedem-me uns certificados que não sei se vou conseguir arranjar. Amanhã vou tratar disso. Próximo passo: entregar o IRS.

Gosto muito da drogaria do meu bairro. O senhor é muito simpático, os produtos baratos e tem de quase tudo! Foi lá que comprei a Nessie, concha da sopa em forma de monstro de Loch Ness, que deixei passar na Escócia, na loja à beira do Loch; pude sentar-me num banquinho lá dentro e colar a sola das minhas sandálias, com cola de contacto que comprei na loja, aliás compro sempre lá, e hoje comprei sabonete de enxofre, da Confiança. A loja de ferragens e estância de madeira, umas portas ao lado, também é muito boa e tem empregados sempre simpáticos. Comprei novas dobradiças (noutra loja) para o roupeiro, quando encontrar as desaparecidas, hão-de ter uso.

Resolvi algumas questões técnicas do telesperto e computador da minha mãe e voltei para casa sem pão decente, pois distraí-me com a luz e as horas.
TOP MÁSCARA DA SEMANA
~ máscara assimétrica, que revela apenas uma narina ~
Finalmente terminei de ver Sailor Moon Crystal, a última temporada redimiu um bocado a série, gostei muito mais, mas nada bate a original, mesmo com os defeitos que tem. Continuo a ver Majou Chukana Paipai que continuo a adorar! - "Raymondo!" - Agora vou terminar Michiko to Hatchin, que também já tentei retomar outra vez. Regressou Blindspot na TV e parece que no início de Julho volta a última temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. Filmes, vi Destination Wedding, com a Winona Ryder e o Keanu Reeves, fase pós grunge, pós Matrix, pós cleptomania, um filme engraçado, muito indie movie, que demonstra por A+B que o Keanu nunca foi mau actor. Também vi dois filmes vintage, Django e Get Carter. Cada um à sua maneira encheu-me as medidas. Os western spaghetti são divertidíssimos e muito mais bem feitos do que lhes dão crédito. Os filmes dos anos 60 e início dos 70, também costumam ter bandas sonoras fantásticas, que só por si fazem os filmes. Get Carter é um thriller muito britânico, com Michael Caine. Vi ontem The Imitation Game, filme que mereceu o hype à sua volta. Gosto desta nova vaga de filmes sobre cientistas "anónimos" que mudaram o modo como o mundo é.

Cenas dos próximos capítulos: será que os portugueses vão atinar? Será que os trabalhadores independentes vão receber algum apoio de jeito? Veja na próxima semana!

Secção Almada - Semana #14





Temos de voltar ao confinamento, menos eu, que tenho de trabalhar

Confesso que estou imensamente, extremamente, muitomente farta de trabalhar. Preciso com urgência de ajuda e nem recebo nenhum currículo. Diz que os meus colegas querem ir todos para o estrangeiro, onde podem fazer internatos e residências e ganhar 4k de euros por mês, com casa e carro e telefone pagos. Eu cá só queria que se mantivessem aqui na tuga, a apanhar sol e a ir à praia, que isso não há lá nas inglaterras onde pagam bem e quês.

Fora isso, tem estado tudo regular. Tenho tido ensaios em modo hardcore, quase todos os dias, com as regras de distanciamento social e tudo e tudo. Vai ser um teatro muito estranho, em que o público não vai poder conviver no foyer, e vão estar todos de máscara ao longo da peça.

Fora isso, não consigo fazer nada de nada, absolutamente nada, todas as obrigações a que me comprometi são *boca* porque a trabalhar que nem uma desalmada e a ensaiar como uma mula de carga só me sobra tempo para dormir e, de quando em quando, ver um anime, ou um filme. Falando nisso, terminei "Argento Soma" e agora estou a actualizar os semanais, sendo que entretanto terminei "Arte", que foi simpático mas nada de especial, e agora estou encantada a ver "Fruits Basket", um dos animes mais importantes para a minha formação pessoal cujo remake está a sair agora.

Em termos televisivos continuamos com "Sete Palmos de Terra", que é muito emocionante, e ontem apanhámos na televisão o "Predador 2", que foi muito engraçado. Realmente o predador tem cara de vulva. Por livros, estou a ler "Handi-Gang", um livro em francês sobre pessoas com limitações físicas que estão a tentar revolucionar a França por maior acessibilidade.

Supostamente hoje voltamos aqui na área da Grande Lisboa e Vale do Tejo a confinar e a fechar tudo às oito, para minha grande frustração que já andava a sair à noite e que já andava a ir ao café. Da última vez que saí de forma nocturna encontrei vários grupos de jovens inconscientes que se cumprimentavam com beijos molhados e abraços, dizendo "olhó cóvido!" como se fosse algo que não existisse. De certa forma, quase que parece que o coronga foi inventado, porque continuo sem conhecer ninguém que tenha sido apanhado por ele. Fora o dono do restaurante "Galo", que fechou o restaurante porque apanhou o coiso, segundo o papel que está na porta.

Fui jantar com o meu pai mesmo antes deste pós-confinamento. Vai por a minha irmã mais nova na mesma escola onde eu estive, e onde me arruinaram a saúde mental, a auto-confiança e a minha fase de sociabilização, inviabilizando-me permanentemente como ser humano social e normal. Consegui evitar dizer à miúda que nessa escola não pode ter o cabelo cor de rosa. Espero que a expulsem de lá rapidamente. Ninguém merece.

18 junho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #14


Alarguei Horizontes

Esta semana foi parecida com as anteriores, umas costuras aqui e ali, coisas em desenho vectorial, excepto o último dia, onde várias coisas aconteceram.
A primeira foi a reinstituição do almoço semanal em casa da mãezinha, ainda sem abraços nem beijinhos, descalça à porta e com ida imediata a lavar as mãos. Soube bem e ela fica toda contente.

A segunda foi que desta vez caminhei até mais longe, fui finalmente à Gulbenkian. As ruas das Avenidas novas estavam sossegadas, como aliás é costume, a Avenida da República tinha bastante mais trânsito que da última vez que lá estive, quando quase se podia caminhar à vontade pelo meio do asfalto, mas mesmo assim consideravelmente menos que o habitual. As lojas e as pessoas é que, fora as máscaras, pareciam quase normais. Na Gulbenkian (e aliás noutros jardins e largos ajardinados) parecia que Lisboa inteira descobriu de repente para que servem os jardins! Raramente vi lá tanta gente, nem ao fim de semana. Sobretudo crianças pequenas a guinchar... céus! Que saudades da Gulbenkian dos anos 70 e 80, quando não se via vivalma durante a semana. É provavelmente coisa que nunca mais hei-de ver. Mas fotografei as tartarugas a fazer semi-arabesques, os patos e as carpas gigantes. O anfiteatro infelizmente estava barrado. É pena, pois se não estivesse, talvez as pessoas estivessem mais espaçadas. Próximo passo: Baixa e, quem sabe, andar de transportes públicos.

A terceira é que apareceu um trabalho com que já não contava muito, por causa do covido, e a quarta é que, fora uma última revisão, tenho o projecto top secret pronto a entregar. Torçam por mim!
TOP MÁSCARA DA SEMANA
~ máscara presa, qual condecoração,
entre o botão e a casa do segundo botão de uma camisa ~
Na TV terminei de ver os filmes de Jerry Lewis, soube bem, e comecei a ver uma série tokusatsu mahou shoujo, no canal de tokusatsus da TOEI no YouTube, Mahou Shoujo Chukana Paipai. -- "Raymondo!" -- Delicioso! Também vi mais dois episódios de Sailormoon Crystal. A ver se termino logo a série, pois talvez deixe de ter tanto tempo livre e não quero interromper outra vez.
Também voltei a pegar devagarinho no cosplay da Lum, usei numa ganga rija que me deram, como nova entretela do obi e quero corrigir o colarinho da yukata, que graças a um tutorial recente e muito bom de como fazer um kimono em casa, esclareci algumas pequenas mas muito importantes dúvidas existenciais acerca da sua construção. Coisas que nunca estão explicadas em lado nenhum, graças à mania dos japoneses não registarem nada. Sou capaz de também fazer o juban e, quem sabe, o obi-ita. Tenho de ir ver aos tais tecidos que me deram o ano passado, se há lá algum que seja bom para isso, o polipropileno já tenho.

12 junho 2020

Secção Almada - Semanas #10 #11 #12 e #13





A minha ausência não se deveu à minha morte, mas quase


Boa noite, caros Pó Calypsicos. Como estão?

Antes de mais, um pedido de desculpas: estive ausente practicamente um mês, mas foi devido a um excesso de trabalho mais que impossível. Tenho estado a trabalhar o dobro de horas por dia, todos os dias (com uma folga semanal, que exigi para não me passar) e para além disso os meus ensaios de teatro voltaram. Tenho agora ensaios três vezes por semana, presenciais, com a distância de segurança possível sempre que conseguimos. Claro que por vezes temos de nos agarrar uns aos outros, mas temos tentado desinfectar-nos frequentemente.

Quando ao Pó Calypso propriamente dito, tenho algumas coisas a dizer, pois tenho continuado a andar bastante de transportes. Para começar, as pessoas não têm a ideia que não se devem sentar ao lado umas das outras e que, sobretudo, não se devem sentar ao meu lado. Existem outros lugares onde se podem sentar ou estar confortavelmente de pé, mas mesmo assim sentam-se ao meu lado, o que me transcende e fascina ao mesmo tempo. Encolho-me toda para junto da janela, de forma à minha coxa coberta de tecido não tocar na coxa da outra pessoa, mas isso apenas faz com que elas abram mais as pernas, num manspreading fabulástico. Quando são homens imagino que tenham testículos gigantescos, como os de um touro de criação, que não cabem entre as pernas. Quando são mulheres imagino que tenham uma pachachona enorme, aberta, dentata e escorrendo fluídos que não permitem que as suas pernas fiquem juntas sem me tocarem.

Relativamente às máscaras, tenho visto novos modos de a usar que são muito interessantes. Alguns exemplos:

  • "Eu tenho máscara, está aqui no bolso!"
  • Máscara pendurada no brinco de argola
  • Máscara pendurada de um lado dos óculos
  • Máscara cobrindo queixo, deixando a boca de fora de forma a poderem conversar
  • Criança com máscara demasiado grande que lhe cobre toda a boca
No entanto, eu própria por vezes falho: hoje, por exemplo, entrei no autocarro convencida que a trazia posta para o condutor gritar comigo e dizer que tinha de a ter. Disse "desculpedesculpedesculpe" certa de duzentas e oito vezes e fiquei muito envergonhada.

De resto, estou a ver um anime mecha, "Argento Soma", de que estou a gostar bastante e vi um slice-of-life sobre uma viagem à Antártida, chamado "Sora Yori mo tooi Basho". Terminei vários livros: "O Elixir da Imortalidade", sobre a família Spinoza ao longo dos tempos (desde o tempo do D. Afonso Henriques, aqui caracterizado como um antipático déspota;, "Cash", uma biografia de Johnny Cash, "Avenida de Roma, Duas da Tarde", um livro de crónicas horroroso; "A Magana da Minha Tia Adelina", um livro de contos que até foi giro; e "Árvores de Fruto", um livro de horticultura que, para meu horror, considera as laranjas como um fruto tropical.

Também continuo a ver o fantástico "Sete Palmos de Terra", que estou a adorar. Tenho sonhado frequentemente com a série, é dessa forma que me está a marcar. Infelizmente, com tantos ensaios até altas horas da noite, mal tenho conseguido vê-la.

Já mencionei que voltei a jogar os Neopets? O meu neopet é a porra de uma nuvem, é muita fofinho. Recomendo a toda a gente que tenha uma nuvem com pés, ou outro bicho semelhante igualmente parvo.

Aqui fica o meu relatório do mês, com o mais sentido pedido de desculpas pela inactividade. Noutra nota, se alguém conhecer um veterinário que queira trabalhar à tarde com bichos queridos, por favor diga-me, que estou em desespero.

24 abril 2020

Secção Almada - Semanas #5 e #6




Quer queiram quer não, a partir de dia dois vou voltar a andar de transportes

Estou farta de ir para o trabalho de carro, embora agora só vá alguns dias por semana e o programa da Antena 2 que esteja a dar seja muito interessante. Chama-se "Um shot de liberdade" e apesar de a intro ser assustadora, mesmo para rádio, coloca em confronto actores, dançarinos e outro pessoal curador das artes. Eles falam uns com os outros e dizem mal uns dos outros e é muito divertido. É uma espécie de Fátima Lopes para eruditos.

Enfim, vou voltar a andar de transportes. Tenho lido em casa, tento ler um bocadinho todos os fins do dia, mas isso significa que só avanço umas cinquenta páginas por dia (dependendo do livro) e por isso ainda só li metade de um livro e metade do outro. Isto não faz um livro inteiro, o que me desespera. Apesar de nunca mais ter pegado na máquina de costura decidi que vou fazer uma máscara para andar nos transportes. Depois comprarei uma viseira fashion.

Essa máscara vou fazê-la com um tecido lindíssimo que ali tenho só um resto. E o melhor é que vai ser um em dois (ou dois em um?) porque o tecido é reversível. Aí parece que tenho duas máscaras.

Terminei Saiki Kusuo no Psi Nan, que não foi tão engraçado como preconizava, e vi os dois filmes de Kyokai no Kanata. Estes filmes provaram que o anime vinga melhor quando não se focam em personagens, em narrativa, em nada: só precisam de ir em modo full-anime no último arco e ter lesmas bolhosas de negritude malvada a possuir toda a gente através de dendrites cor de rosa. Depois explodir. Temos visto muitos filmes dos anos 80. "Greetings", aprendi com o Starman. Terminámos, a ferros, His Dark Materials. Está menos fixe que o livro, mas não se pode pedir demasiado. E começamos a nova season de What we do in the shadows, que continua hilariante.

No outro dia tentei ler as cartas Sakura que mandei vir do Wish com uma amiga. É preciso alguma imaginação para perceber o que as cartas querem significar. É preciso imaginação para tudo.

Tento escrever um bocadinho todos os dias. Hoje escrevi a minha Crónica do Pó Calypso. Tenho escrito umas histórias com demos só para relaxar. Cada vez gosto mais de demos. É mesmo preciso imaginação para tudo.

09 abril 2020

Secção Almada - Semana #3 e #4




Estranha forma de acordar, que é estar pronto para dormir

Durante estas duas semanas, os dias têm sido sempre os mesmos. Acordar, trabalhar, café, ir às compras, trabalhos diversos. Pelo menos durante os dias em que a contenção me indica que não devo trabalhar consigo colocar as horas de sono em dia. Tenho sonhado muito, com coisas catastróficas.

A autoestrada está mais vazia do que o normal. Agora na Páscoa devo evitá-la, para não ser parada pela polícia, embora a minha cédula me autorize a circular normalmente. As estradas, no geral, mais vazias. Toda a gente cada vez mais aselha no trânsito, andando lentamente. Têm tempo. Todos têm tempo agora.

Juntei-me a alguns grupos de jogos e literatura para ver se falo com pessoas. Na rua, tudo normal só que com máscaras. Todos falam, mesmo com a distância de segurança, parece um filme do Clint Eastwood em que ninguém sabe quem vai sacar a pistola primeiro.

Terminei os animes sazonais e vou entretanto começar outros animes sazonais. Vi o filme do Detective Conan, Requiem for a Detective, que é tipo a primária só que para detectives. Vi Birds of Prey, que está bem engraçado, e tentámos recriar a sandes de ovo da Harley Quinn em casa. Comi tanto que arrotei sandes de ovo durante dois dias. Vimos Red Dragon, Les Misérables (o novo filme da chungaria francesa, não o clássico), Gremlins e Gremlins 2. Agora acabo a primeira season de Saiki Kusuo no Psi Nan, que é suposto ser uma comédia mas não tem assim tanta graça.

Supermercados ok. Na Auchan reunimos ingredientes suficientes para tentar recriar a salada mágica do Vitaminas. Hoje conseguimos sacar uma lasanha em promoção. Somos os mestres da promoção.