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15 setembro 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #26

The Horror!
Um dia de pausa entre festivais, que acabou por ser 2 em parte por distracção, fez com que não me preparasse convenientemente para a maratona que é o MOTELx. Felizmente tinha ingredientes em casa para fazer salada de feijão frade com atum, que serão os meus jantares, ou parte deles. Os almoços estavam mais ou menos controlados, mas vou ter de fazer compras às mijinhas antes de ir para o São Jorge.
Apesar de o IndieLisboa ter corrido com imensa tranquilidade, o MOTELx está a deixar-me ansiosa. Aquelas multidões habituais não são nada bem-vindas, e não saber se vou ter bilhetes ou não poder escolher o lugar, são pequenas coisas que agora não posso controlar, as quais me fazem sofrer por antecipação. Como no ano passado, vou tentar tirar o melhor proveito possível do festival e conviver com algumas das minhas pessoas preferidas <3

O MOTELx 2020  terminou. Foi bastante divertido e, como previa, a melhor parte foi poder ver caras amigas após meses (tantas saudades!), e ainda apanhei uma barrigada de filmes. Foi a primeira vez desde Março que entrei numa sala de cinema (a última terá sido no CinePop?) e senti-me muito mais segura nas salas do São Jorge e imediações que nos 20 e tal minutos de percurso de Metro, que inclui uma mudança de linha. A propósito de Metro, parabéns ao DJ de serviço, numa só semana reparei em canções dos Joy Division, Rock the Casbah, dos Clash e Franz Ferdinand! Nunca pensei! E a máscara tem as suas vantagens, podemos trautear as músicas com mais descrição :D À noitinha os grilos embalaram os meus regressos a casa, que variaram entre ir a pé, até ter boleia.

Este ano, por causa das medidas sanitárias, não houve praticamente decoração nenhuma no MOTELx e senti falta do lounge no estacionamento. Nesse local instalaram umas barraquinhas a vender merchandise oficial do MOTELx e livros, mas tentei não olhar muito para lá, o orçamento está pequenino, pequenino. Mas, entre as casinhas, os arbustos, a guirlanda de luzes e as letras iluminadas a dizer MOTELX, parecia mais uma feira de Natal antecipada (I cannot unsee! XD). Quanto a filmes, para além de alguns clássicos, que aproveitei para ver em sala, cada vez há menos filmes mesmo assustadores e os estilos que gosto mais, sobrenatural, filmes de sugestão ou ultra kitsch, eram poucos este ano. Gostei imenso do brasileiro Macabro, dos que vi foi mesmo o melhor de todos, gostei bastante do Relic e ainda vi mais uns quantos decentes, mas que não me entusiasmaram. Maus filmes não vi nenhum. Bom, talvez o Grizzly II, mas sempre deu para rir de vez em quando e era curtinho.
Houve dois temas mais ou menos transversais: casas e intrusos. Três filmes com o título "intruso", uma longa vintage (do Corman), um recente e uma curta portuguesa. Os das casas eram o Relic, o Amulet e o People Under the Stairs. Talvez houvesse mais, mas não me consigo desdobrar em duas e este ano quase não vi sessões antes das 18h.

Neste interregno, andei a stressar por causa do início das aulas, não havia informação nenhuma para além do início oficial a dia 15, mas já tive notícias da faculdade, a primeira aula será em Zoom e já instalei a cena. A vantagem é que posso estar descalça, estou com as sandálias todas a morrer...

Vi pouca coisa na TV, mas vi o filme Black Panther, não é mau, é muito bonito, a história é boa, tem bons actores, mas também não achei nada de surpreendente. E comecei a ver a 4ª e última temporada dos The Durrells. Tenho de arranjar os livros do Gerald e ler a Trilogia de Corfu como deve ser.

24 agosto 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #23

 

Preparando uma maratona de trabalho
Esta semana tem sido dedicada quase inteiramente a trabalho, em casa, e a tratar de coisas para o início do ano lectivo. Fiz um reajuste da metodologia de trabalho caseiro, que tinha mudado e dispersado um bocado quando o portátil estava vivo.
Resumindo, como já não faço tudo numa única divisão, voltei a ter turnos um pouco mais disciplinados de trabalho, com a ocasional curta interrupção nas redes sociais, através do telesperto. Acompanhada pela minha garrafinha de água do Diabolik, a mini ventoinha e mp3 a gosto, quando não preciso do áudio para trabalhar, faz-se bem. Normalmente oiço a Rádio Oxigénio, mas como este PC é velho, não quero abusar da memória e largura de banda, ao por a rádio a tocar. O link que tinha no Media Player já não deve existir, não funciona. Já não estou é habituada a estar muitas horas sentada na cadeira de escritório. A cadeira é confortável, mas as minhas costas habituaram-se a estar refasteladas no sofá :'D

Nos intervalos, tenho andado a preparar-me para a maratona de mais de 2 semanas de festivais de cinema: lavar a roupa, organizá-la, remendar alguma coisa que esteja a precisar de manutenção. Comprar fruta no supermercado para levar e ter o arsenal de máscaras a postos. Reorganizar a mala.
Estou ligeiramente ansiosa por enfrentar o mundo lá fora, mas as medidas de segurança parecem-me razoáveis e a carga de trabalho vai ser muito menor que o costume, portanto não corro o risco de ficar com o sistema imunológico em baixo ou estoirada. E vai ser bom ver mais caras que a família ou as senhoras do supermercado.

Já terminei de ler o Heart of Darkness e comecei a ler Something Wicked This Way Comes, de Ray Bradbury, mesmo a tempo de celebrar o seu 100º aniversário, dia 22! E ontem, 23 de Agosto, teria feito 50 o River Phoenix :'(
Na TV só tenho acompanhado as séries de antes, estou quase a terminar o MacGyver, comecei a ver a nova edição do Masterchef Australia (foram espertos, fizeram uma temporada de transição, para as saudades dos 3 apresentadores originais não serem tão grandes) e para a semana começa a reposição de Battlestar Galactica. Já não revejo a série desde os anos 90, vai saber bem!

09 agosto 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #21

Casa, autocarro e estudar
Ao contrário da semana passada, esta foi de muitas primeiras coisas em poucos dias. Fui ver a casa para onde alguém próximo se vai mudar, e gostei muito. Depois fui tratar do passe, este mês volto a trabalhar fora de casa, portanto faz falta, e apesar de pequenos obstáculos burocráticos, o atendimento no Arco do Cego foi 5 estrelas e consegui resolver tudo na hora, com simpatia incluída. Aproveitei para fazer as compras na área, no Continente do Arco do Cego também há pão alentejano. No da Avenida de Roma é que pelos vistos foi banido ;_; Também entrei pela primeira vez num centro comercial, concretamente no Saldanha Residence, à procura da nova loja Flying Tiger, já que o Monumental continua esventrado. Só abria no dia seguinte. Fui para casa. Ao chegar, tive a boa notícia: vou voltar a estudar! Era esse o projecto top secret. Agora tenho de arranjar uma bolsa de estudo o mais depressa possível!
Voltei para casa de autocarro, já não entrava num há 21 semanas...

Porque é que, havendo uma ciclovia bestial, à sombra, separada do passeio e da estrada, em toda a rotunda do Saldanha, passaram, no espaço de 30 minutos, mais de dois ciclistas por mim no passeio? E não, não levavam a bicicleta na mão... Sou 100% a favor das ciclovias, sobretudo porque este é um país onde andar de bicicleta entre os carros é o equivalente a andar com o coração nas mãos, mas que aproveitem as ciclovias quando as há, principalmente quando são das boas! Parece que uma colher de civismo ao pequeno-almoço faz mais falta que as ciclovias. Para todos: automobilistas, ciclistas e peões.

A viagem de autocarro foi tranquila, àquela hora, naquele autocarro, à partida deveria ser. Mas fui testemunha da grande falta de civismo de parte da população. Sentei-me naqueles lugares perto da porta e, pouco antes da minha paragem, reparei num grupinho de grunhos do futebol (2 homens e uma mulher) a conviver. Nos homens nada demais, um tinha uma máscara do Benfica, bem colocada, o outro tinha a máscara meio à banda, a fugir do nariz, mas a mulher, sempre que queria reforçar alguma coisa que dizia, repetia puxando a máscara para baixo. Fez isso várias vezes. Estive quase a dizer alguma coisa, mas a sensatez e o alarme anti-grunhos soaram e dediquei-me a sair do autocarro e dirgir-me a casa.

Foi um dia confuso, um misto de alegria, a tratar das burocracias do ensino superior, e a tristeza que é a perda da actriz e encenadora Fernanda Lapa. Cruzei-me com ela em três tempos da minha vida e sempre gostei dela. O primeiro foi em criança, numa instituição que a minha mãe partilhou com ela e que mais tarde frequentei. O segundo foi em trabalho e vi nela uma pessoa muito disponível e generosa. O terceiro foi recentemente, como espectadora, a última peça de teatro que vi antes da pandemia foi encenada por ela. O mundo ficou mais pobre, já sobram muito poucos assim.

PS - Sábado, depois de almoço, o meu PC mais novo morreu. Todo o mateiral importante está a salvo no disco externo, mas o PC antigo é isso mesmo, antigo, e já não tem capacidade para muito. Mais uma despesa a acrescentar quando as vacas engordarem um bocadinho:

1. mandar arranjar a máquina de costura;
2. comprar um PC novo, e desta vez decente.

04 agosto 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #20



20 semanas, 5 meses, e esta porra ainda não passou! Nem parece passar tão cedo :'(

Esta semana foi focada no trabalho, tive um filme em duas partes em mãos. O único desvio foi ir ao Carrefour, perdão, Continente de Telheiras, onde encontrei pão alentejano, pão cada vez mais difícil de encontrar, e era mesmo bom. E também fui ao chinês da Avenida de Roma, a minha primeira incursão a Alvalade, em mais de 20 semanas, à procura de ceninhas para a Lonesome Cowgirl. Ainda preciso de um adereço, na semana que vem, sou capaz de ir aos chineses das Avenidas Novas a ver se encontro.
 Ah, o vizinho das obras, ainda não percebi se é mesmo o vizinho do lado, despertou! Mas não me tem incomodado muito, apesar de o barulho ser quase sempre de manhã, mas têm sido só marteladas secas e o ocasional berbequim, que me acordam num primeiro momento, mas depois embalam-me o sono.

Apesar de estar com trabalho, só vou ser paga lá para Setembro, o que significa que o orçamento é limitado. Estando o país ainda em estado de calamidade, pensava que as suspensões de pagamentos seriam até Setembro, mas não, as contas começaram a chegar... Não é nada fácil, sobretudo para os intermitentes como eu.

Na TV vi o velhinho War Games, que não envelheceu nada mal. Creio que a coerência de na parte da tecnologia e ciência estar tudo correcto, Matthew Broderick ser definitivamente um bom actor, bem apoiado pelos adultos, e uma realização firme, fazem o filme de John Badham um filme a ver e rever! Coisa que eu não fazia desde o século passado.
Quanto a séries, estou a gostar muito desta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D., é pena ser a última. As recriações das épocas passadas, sobretudo das épocas que os autores conhecem, como os anos 70 e 80, estão fabulosas e têm tiradas de humor brilhantes, como os genéricos mudarem conforme as épocas, incluindo os logótipos.

17 julho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #18

ainda há esperança para a humanidade...

Ui, que calooor!

Detesto calor, detesto o Verão, usar máscara com o calor custa muito mais! Esta semana chegou uma vaga de calor que me deixou KO. Mesmo assim fui almoçar com a minha mãe à IKEA, e provavelmente será dos sítios mais seguros para almoçar fora, nestes tempos pó calypticos. Para além do controlo de número de clientes, profusão de gel desinfectante por todo o lado, a eliminação do self-service e nós também nos termos prevenido - fomos cedo e à de Loures, que é mais civilizada - contribuiram para uma ingestão de almôndegas em sossego.
Mas na loja, dos clientes, já não se pode dizer o mesmo. A IKEA continua a ser a Disneylândia, continua a haver uma percentagem alta de pessoas que vão lá passear com bebés e, apesar das várias recomendações de distanciamento social, seguir os pecursos assinalados, etc. etc. etc.  fomos várias vezes abalroadas por grupetas de gente que, apesar de a loja estar bastante vazia, tinham de passar encostadinhas a nós. PacMan! Eu, que não tinha objectivo de comprar lá nada, acabei por sair de lá com uma panela e duas frigideiras, para substituir as minhas, já moribundas, e não ultrapassei os €20! O gel na IKEA cheira mal, mas não cheira a bagaço nem a álcool.
Mental note: não voltar a comprar o gaspacho do Lidl... não tem tempero :(
Apercebi-me agora, foi a primeira vez que saí do concelho de Lisboa desde o início do Pó Calypso! No caminho reparei que construíram uma ponte ciclo pedonal em madeira lindíssima na Calçada de Carriche, a coisa mais bonita naquela rua!

Por casa, o trabalho continua a revezar-se, só tenho visto as séries do costume e retomei o Naruto (Shippuuden), via SIC Radical, mas aquilo dobrado em português é estranho, dattebayo! - PORQUÊ!? Também vi o Fistful of Dollars, com o Clint Eastwood. Estou a ter um novo gozo em ver western spaghetti. Estava à espera de, com a morte de Ennio Morricone, aparecerem uns quantos nos canais de cabo, mas nem por isso. Ah, e ando viciada nos canais de YouTube Adam Savage's Tested e Bernardette Banner.

Esta semana não tenho Top Máscara, mas tenho visto muitos, demasiados, narizes de fora. Ah, terminei a máscara gato-vampiro e outra com o resto tigrado da yukata da Lum. Só falta acabar a de mar e tenho já uma boa colecção que me permite trabalhar fora de casa, quando se der a ocasião. Quero comprar uma caixa de madeira no chinês para as pôr, a que tenho é pequena.

10 julho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #17


Vi o meu pai e comi sardinhas!
Ao fim de 17/18 semanas, finalmente estive com o meu pai. Ele veio buscar-me de carro, pois ir a casa dele implica apanhar 2 linhas de metro ou um autocarro, para uma zona que tem tido muitos passageiros. O bairro onde ele mora, onde morei na minha infância, é bastante tranquilo, mas chegar até lá pode não ser e, por causa da idade dele, não quero arriscar, já é risco suficiente eu estar com ele.
Estes novos comportamentos sociais não são fáceis de gerir, sobretudo quando a cidade não está devidamente preparada. Infelizmente há quem tenha de apanhar esses transportes todos os dias, mas também por essas pessoas, prefiro não ser mais uma, já que é coisa que não TENHO de fazer.
Percorremos todos os restaurantes nas imediações, a escolher o que almoçar, o polvo à lagareiro infelizmente tinha acabado de esgotar, mas havia sardinhas assadas e não estavam más. Pelo menos soube bem. Também fomos à velha mercearia do bairro, o Tó Zé, que achei super decadente, com as prateleiras meio vazias, mal conservado, e, apesar de ter gelados da Olá, o nosso objectivo era uma sobremesa, não tinha embalagens de litro. Lembro-me do Tó Zé sempre bem aprovisionado, quase com os produtos a transbordar para a rua, tive alguma pena de ver a mercearia com um ar tão deprimente.
Ao deixar-me perto de casa, aproveitei para ir comprar umas coisinhas que se tinham acabado ao outro bairro vizinho, na realidade o bairro vizinho mais próximo, a Picheleira/Olaias, que já pertence à freguesia do Beato. Outro bairro onde pouca diferença notei nas pessoas, mas não permaneci muito tempo.

Por casa tenho andado ocupada com trabalho, mas vou infiltrando uma ou outra tarefa, como finalmente tratar da peruca da Yuuko, a precisar de cuidados desde Fevereiro. Já está toda penteadinha e levou com o ferro. Aproveitei para dar um jeitinho com o ferro às pontas espetadas da peruca nova da Hokuto, que ficou bem melhor. O próximo vai ser o vestido de veludo, que não pode ir à máquina, eu estava à espera do calor, para lavar à mão as partes que se sujam mais. Tenho feito limpeza superficial, com dodots, etc. sempre que o uso, mas agora já fede >_<

Na TV, vi o filme Atomic Blonde, um filme de espionagem no finzinho da Guerra Fria, passado em Berlim, em 1989, e gostei mais do que estava à espera. Passados 2 episódios, estou a gostar de Good Girls Revolt, Agents of S.H.I.E.L.D. deu uma reviravolta interessante e as outras séries que estou a ver não valem ser mencionadas., excepto o MacGyver, que está a ser uma experiência interessante. Nada de anime, não tenho tido tempo.

24 junho 2020

Secção Almada - Semana #14





Temos de voltar ao confinamento, menos eu, que tenho de trabalhar

Confesso que estou imensamente, extremamente, muitomente farta de trabalhar. Preciso com urgência de ajuda e nem recebo nenhum currículo. Diz que os meus colegas querem ir todos para o estrangeiro, onde podem fazer internatos e residências e ganhar 4k de euros por mês, com casa e carro e telefone pagos. Eu cá só queria que se mantivessem aqui na tuga, a apanhar sol e a ir à praia, que isso não há lá nas inglaterras onde pagam bem e quês.

Fora isso, tem estado tudo regular. Tenho tido ensaios em modo hardcore, quase todos os dias, com as regras de distanciamento social e tudo e tudo. Vai ser um teatro muito estranho, em que o público não vai poder conviver no foyer, e vão estar todos de máscara ao longo da peça.

Fora isso, não consigo fazer nada de nada, absolutamente nada, todas as obrigações a que me comprometi são *boca* porque a trabalhar que nem uma desalmada e a ensaiar como uma mula de carga só me sobra tempo para dormir e, de quando em quando, ver um anime, ou um filme. Falando nisso, terminei "Argento Soma" e agora estou a actualizar os semanais, sendo que entretanto terminei "Arte", que foi simpático mas nada de especial, e agora estou encantada a ver "Fruits Basket", um dos animes mais importantes para a minha formação pessoal cujo remake está a sair agora.

Em termos televisivos continuamos com "Sete Palmos de Terra", que é muito emocionante, e ontem apanhámos na televisão o "Predador 2", que foi muito engraçado. Realmente o predador tem cara de vulva. Por livros, estou a ler "Handi-Gang", um livro em francês sobre pessoas com limitações físicas que estão a tentar revolucionar a França por maior acessibilidade.

Supostamente hoje voltamos aqui na área da Grande Lisboa e Vale do Tejo a confinar e a fechar tudo às oito, para minha grande frustração que já andava a sair à noite e que já andava a ir ao café. Da última vez que saí de forma nocturna encontrei vários grupos de jovens inconscientes que se cumprimentavam com beijos molhados e abraços, dizendo "olhó cóvido!" como se fosse algo que não existisse. De certa forma, quase que parece que o coronga foi inventado, porque continuo sem conhecer ninguém que tenha sido apanhado por ele. Fora o dono do restaurante "Galo", que fechou o restaurante porque apanhou o coiso, segundo o papel que está na porta.

Fui jantar com o meu pai mesmo antes deste pós-confinamento. Vai por a minha irmã mais nova na mesma escola onde eu estive, e onde me arruinaram a saúde mental, a auto-confiança e a minha fase de sociabilização, inviabilizando-me permanentemente como ser humano social e normal. Consegui evitar dizer à miúda que nessa escola não pode ter o cabelo cor de rosa. Espero que a expulsem de lá rapidamente. Ninguém merece.

11 junho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #13


Esta semana passei entre mentalizar-me para o calor, a ter um pequeno acesso de nostalgia pela BlytheCon Europe e a minha viagem ao Porto há um ano, e a trabalhar no projecto Top Secret. Gosto muito do Freehand, mas o PC, vulgo chaleira, onde está instalado, não tem muita memória e tem tendência a não gostar de ficheiros pesados. Quando me faltava um bocadinho assim, eram só mais umas 3, 4 horas de trabalho, o ficheiro morreu. Tive de recomeçar e fazer algumas coisas com menos resolução para não voltar a acontecer. Mas de resto está tudo a correr bem.

Hoje, como era feriado, as ruas estavam sossegadas como no Estado de Emergência. Mais ou menos. A malta da sueca voltou e havia muito mais ajuntamentos, apesar de menos que nas últimas 2 semanas. Foi tudo levar o covido lisboeta para o Allgarve. A propósito da cidade vazia e do turismo, parece que agora as coisas em Alfama estão mal paradas. Só espero que isto dê origem a leis para controlo do alojamento local e das rendas em geral, os preços das casas em Lisboa parecem os das cerejas este ano.
Falando em cerejas, ando a começar a ter dúvidas de lhes ferrar o dente este ano. Estamos a meio de Junho e estão a cerca de €5/kg no Minipreço e €10/kg no Continente! Nunca as tinha visto a €10 e a €5-6 costuma ser em Maio, quando aparecem. Pelo menos ainda há morangos nacionais bonzinhos e ainda tenho fé nos pêssegos de roer.
Pensei em ir à Gulbenkian dar uma voltinha, mas a falta de vontade de sair de casa, o calor e outras coisas que me tiram a energia, fizeram com que só desse a volta do costume.
Esta semana vou fazer uma coisa que só faço uns 2 em 2 anos: "hambúrgueres porcaria". Basicamente são hambúgueres com tudo, que só fazem porcaria quando uma pessoa os vai comer. Deu-me vontade.
O gel desinfectante do chinês continua a cheirar a bagaço, hahahaha!
TOP MÁSCARA DA SEMANA
~ uma moça novinha, com uma máscara de pregas, impecavelmente passada a ferro, com as dobras todas vincadas, fechadas, um vinco vertical a meio, que lhe deixava o nariz todo à mostra ~
Continuo a ver os filmes de Jerry Lewis, agora estreou a 4ª temporada de Blindspot e, como já acabei a cama, vou tentar reinstaurar o PC na TV (tinha a ver com a logística do espaço e a incompatibilidade da atenção que a cama exigia) e terminar Years and Years e Sailor Moon Crystal. Sou capaz de rever o Gone With the Wind, nem que seja por pirraça à HBO.

06 junho 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #12


Ao chegar à 12ª semana e a ver a vida nas ruas a voltar praticamente ao normal, pergunto-me se valerá a pena continuar estas crónicas. As coisas podem já não parecer tão negras, mas o bixo é invisível e os casos aumentaram bastante em Lisboa. Enquanto não me sentir segura e tiver vontade e tempo, a Secção Alameda/Areeiro vai continuar.

Esta semana fui ao Aldi de Telheiras, de carro, com a mãezinha, e atravessei a fronteira de Arroios. No Aldi, como no Continente na semana passada, havia uma estranha ausência de iogurtes gregos naturais. Só havia com frutas ou açucarado em baldes. Nada de Buttermilch. A minha teoria é, até porque o atum também estava em falta no Minipreço, quando houve o assalto aos supermercados, uma, duas semanas depois esses produtos com muita procura voltaram, mas como durante a quarentena a produção deve ter diminuído, agora é que as faltas começam a notar-se.
Em Arroios, muito mais que no Areeiro chunga, nem parece que deveríamos agir com precaução e vejo muito poucas máscaras, sem ser tapa-queixos. Falando em máscaras:
TOP MÁSCARA DA SEMANA
~ máscara tipo pulseira no bíceps ~
~ híbrido entre pála e máscara, que aparentemente não protege grande coisa ~
Cá por casa tenho andado ocupada com 3 coisas: com o plano Top Secret, a acabar umas máscaras para vender e com o primeiro desafio do Blythe Runway challenge. As máscaras estão quase prontas, 3 das 6 peças do BRC estão prontas e o Top Secret será entregue em breve. Em Julho poderá ser revelado. Ah, e pela primeira vez mexi num cosplay a precisar de atenção, aproveitei um pedaço de ganga rija que me deram, para usar como entretela para o obi da minha Lum. sou capaz de acabar de embainhar a yukata a seguir. Se faço o juban e o obi-ita a seguir, logo se vê. Os materiais estão cá. A cama IKEA está pronta, mas não sei onde enfiei as dobradiças das portas do roupeiro, a Mod Amidala e Leia já estão fotografadas.

E estão a dar uma série de filmes do Jerry Lewis na FOX Movies. Sempre lhe achei piada e agora, revendo os filmes ao fim de uns bons 20 anos, percebo como eram mais bem feitos do que lhes dão crédito. Até guarda roupa por Edith Head têm. O filme Geisha Boy, ao contrário do que o título indica, não entra em nenhum dos clichés depreciativos acerca do Japão. Pelo contrário, nesse sentido, consegue ser muito superior a um Memoirs of a Geisha, pois os actores orientais são todos japoneses ou descendentes, os kimonos todos genuínos e o kitsuke perfeito. Se tivermos em conta que um foi feito pelo studio system, no auge da segregação nos EUA e da ocupação militar no Japão (é sobre isso) e o outro já neste século, por um realizador mais ou menos independente, parece-me que houve um retrocesso hollywoodesco.

O mundo parece ter se cansado do Pó Calypso, e as reacções às suas consequências começam a sentir-se. Destacam-se dois movimentos, o #pelopresenteefuturodaculturaemportugal, contra a trapalhice e falta de medidas de apoio do nosso governo em relação a um problema bem antigo e que me afecta directamente, dos intermitentes da cultura; e o #blacklivesmatter, resultante de um último acto de violência policial nos Estados Unidos, que resultou na morte injusta de George Floyd. O primeiro tem gerado alguma discussão e manifestações por parte dos meus colegas da cultura, e espero que não caia mais uma vez em saco roto. O segundo é muito complexo, obriga a uma reeducação das sociedades pan-europeias e ex-colonizadoras, cujo bullying millenial online não me parce ser eficaz. Sou 100% a favor da causa, mas acho a abordagem de barafustar até sermos ouvidos, imatura e ineficaz. Digo isto porque já agi assim e nunca me levou a lado nenhum. Seria muito bom que as massas ouvissem, raciocinassem, para além de barafustar. Veremos o que acontece daqui por diante, mas acho que as moscas apanham-se com mel e não com vinagre.

Há um ano estava a caminho do Porto.

08 maio 2020

Secção Almada - Semanas #7 e #8





Estou em crer que as máscaras cirúrgicas cheiram a cócó

Voltei a andar de transportes. É um alívio. Já terminei um livro sobre o serviço de cardiologia de um hospital na Flórida, chamado "Mulheres de Branco". Até aprendi um novo método de retirar toxinas do sangue. No entanto, hoje esqueci-me da máscara mágica que fiz e a segurança da estação da Fertagus obrigou-me a ir comprar uma nova. E cheirava a cócó.

Os autocarros mudaram os horários e mudaram o sítio onde param. Hoje um senhor gordo, com grandes nádegas peludas saindo da calça de ganga, veio a correr perguntar se o autocarro parava ali. Deixei-o sentar-se, porque parecia prestes a ter uma apoplexia, e expliquei-lhe onde o autocarro parava. Pareceu não compreender. Depois sentou-se à minha frente no transporte e pareceu-me cheirar ainda pior.

Falando em máscaras, gosto muito das pessoas velhotas que a usam debaixo do nariz, para poderem respirar melhor, mas gosto especialmente das pessoas velhotas que a usam dentro do bolso da camisa. Parece que agora, como usamos máscaras, o sentido de distância social desapareceu. As pessoas chegam-se a mim e algumas tocam-me, o que me perturba. Para não sentir o cheiro da máscara passei a andar no trabalho com uma viseira, que ofereceram de um distribuidor de medicamentos. Sinto como se tivesse à frente da cara o vidro de um óculo gigante.

Voltei às aulas de costura, mas não tenho tecidos para fazer partes novas do meu projecto. Estou ansiosa por voltar a Lisboa para ver os tecidos, mas considerando que não posso ficar a fazer sala num sítio qualquer a ver a vista, por outro lado também não me apetece. O que estou ansiosa para fazer realmente é reunir-me com as pessoas que aprecio no meu quintal, que se tem estado lá tão bem com este sol de Maio.

Começamos a ver a série "Sete Palmos de Terra", com 20 anos de atraso. Estou a adorar, é muito divertida e fala da morte, que é um assunto que me interessa.

A minha tosse está todos os dias pior. Ou é corona ou é cancro. Espero que seja corona.

22 abril 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #6


Aqui em casa é tudo ao ralenti

Após estas 5 semanas, tratei de mais um pendente não urgente: Há cerca de um ano ofereceram-me uma impressora/scanner praticamente nova, da EPSON. A antiga dona não percebe nada do assunto e nem me sabia dizer em que condições estava a bicha, sóque não a usava. Como não tenho grande necessidade de imprimir coisas no dia-a-dia, e sabia que ia perder umas horas a instalá-la no PC antigo (e perdi), que é onde tenho os programas gráficos que lhe poderão dar mais uso, não me meti a instalá-la. Foi desta! Tive de ir buscar as drivers, etc., o plug & play do Vista desactualizado ainda funciona pior agora, mas depois de algumas voltas lá a instalei e está a funcionar! É daquelas EPSON Stylus com as cores em tinteiros individuais, I'm not worthy! Acho que aquela placa de contraplacado a pedir-me para fazer um beliche (da IKEA) para as moças, vai finalmente ser usada! (...) Já está quase toda cortada, parcialmente construída, hoje comprei mini dobradiças e lixa e para a semana vou buscar tinta acrílica branca (não, não tinha) à Varela, que reabriu esta semana. E também acho que a Arashi vai finalmente ter a sua Strato (vermelha, claro!), a Oriana mais livros, embalagens de comida, revistas, enfim, miniaturas para as moças.

Eu bem que estava a estranhar a falta de manifestações do vizinho das obras! Enquanto estava às voltas com a instalação da impressora, lá tive uma sessão de porta aberta (o meu quarto, onde está o escritório, é mais perto da porta da rua), com direito a música, que felizmente eram êxitos dos anos 80, e a rebarbadora! Vá lá que não foi muito tempo e não foi às 8h da manhã, mas tinha de ser...

The Mod Child
Falando em moças, acrescentei mais uma personagem à família Mod Star Wars, o/a The Mod Child. Tinha cá os materiais todos (veludo verde seco, camurça falsa cor de camelo, pêlo de carneiro falso) e nenhuma peça é muito complexa. Adoro o resultado! Tenho andado cá a magicar como poderei juntar todos numa espécie de galeria. Para já só na página do feicebuque, que ainda não actualizei.

Foi também precisa uma quarentena para finalmente cozinhar favas! Favas e morangos são uma espécie de tradição nos meus anos, que nem sempre cumpro. Aliás, as melhores favas são as da mãezinha e nos últimos anos temos almoçado comida feita por outros. Este ano, mal percebi que ia pela primeira vez na vida comemorar os meus anos sozinha, os planos foram delineados: iria fazer o bolo mais guloso que sei, cheio de chocolate para as endorfinas, os Bloomin' Brilliant Brownies do Jamie Oliver e, tendo encontrado favas congeladas na minha visita ao Lidl, fazer favinhas guisadas pela primeira vez. Usei o meu vestido de avozinha novo, os meus sapatinhos que o carteiro deixou na tasca da esquina, em vez de me tocar à porta (a propósito, hoje chegou a resposta dos CTT: "o objecto em referência foi depositado no RPD-Receptáculo Postal Domiciliário em (...) na morada que nele constava" - no comments), e vi filmes. Revi o High-Rise, continua um novo favorito, e o Great Gatsby de 1974. O Baz Luhrman nunca devia ter feito a adaptação dele, não vale nada ao pé desta adaptação, muito mais fiel ao livro e magistralmente realizada. Também revi dois Keanus clássicos: Point Break e The Matrix e terminei Star Trek: Picard (ainda não bloguei sobre a série). Agora comecei a fabulosa Years and Years, do meu herói Russel T Davies. Como o WiFi não chega à casa de banho, em geral tenho lá sempre algo leve para ler, banda desenhada, revistas, etc. coisas que possam ser interrompidas após poucas páginas. Agora terminei um livrinho delicioso que comprei em Bristol. Originalmente publicado em 1968, a minha edição é de 2013, o Gear Guide (ISBN 978-1-90840-256-1) é um pequeno guia ilustrado das lojas de roupa da Swinging London dos anos 60. Uma viagem no tempo. O próximo será mais um volume da minha colecçãozinha de Diabolik, BD italiana.

A ronda semanal foi sem nada de notório, há muito mais gente na rua, as pessoas não sabem colocar as máscaras e continuam a não respeitar o distanciamento social. A minha máscara de tubarão fez sucesso entre as meninas do Minipreço, que têm sido as mais humanas e disponíveis de todos os estabelecimentos que tenho visitado. Mais algumas lojas reabriram, como a Varela.
 A minha mãe ofereceu-me um outro bolo de chocolate apudinzado, delicioso!

08 abril 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #4

O portal para a outra freguesia


Não gosto de telefones!

Estou a começar a achar que a minha quarentena tem 3 sabores: picante, alhado (ou ambos) e doce. Estranhamente nem tenho dado assim tanto nos doces como esperava. Mas pão, queijo, leite e chá não podem faltar!

Já terminei The Mandalorian, que delícia! Adorei! Agora, indo contra os conselhos da minha amiga Tabby, estou a acabar de ver Chernobyl. Tinha de ver. Apesar de Portugal estar longe e a nuvem de radioactividade supostamente não ter passado os Pirinéus, lembro-me de acompanhar o acidente com atenção na altura e de ficar muito impressionada. Falando em catástrofes, mais ou menos na mesma época de Chernobyl, o vaivém espacial Challenger explodiu no ar durante o lançamento, e lembro-me de pensar como eram bonitas as imagens do acontecido. Desde então, sempre que algo igualmente impressionante acontece, volto a reparar que as imagens, embora trágicas, têm sempre uma beleza insólita, que não consigo deixar de ver. Durante esta pandemia, são as fotografias das cidades vazias, onde só faltam as plantas invasoras para serem o cenário de um livro de J.G. Ballard, um dos meus escritores de ficção científica preferidos, que tem andado, por razões óbvias, muito presente na minha cabeça.
Também resolvi incluir pelo menos 1 episódio de um anime na minha rotina Pó Calypsica, comecei por finalmente terminar de ver Sailormoon Crystal, faltam-me cerca de 10 episódios.

Eu sei que temos de estar presentes de alguma forma para a família e etc., mas detesto estar ao telefone e os telefonemas diários aborrecem-me. Esta é uma das muitas razões porque eu dificilmente me aguentaria mais que uns dias num emprego num call center. Deve ser a primeira coisa a atrofiar-me neste Pó Calypso.

Esta semana resolvi aventurar-me à freguesia vizinha para ir às compras, ao Lidl. Costumo ir ao Lidl pelo menos uma vez por mês, pois tem uma série de produtos que gosto, como espargos, os secos, o cappucino e o pão, entre outros.
A tasca da esquina estava com o movimento do costume: uns 3 ou 4 cá fora, num passeio que tem pouco mais de 1,5m de largura, não havia barreira à porta e pareceu-me que estavam mais uns quantos lá dentro... Giro giro foi quando passou um carro da polícia, que parou à porta da tasca, e pelo menos 2 das pessoas que estavam cá fora fugiram como as ciganas na Guerra Junqueiro nos anos 80! Ri-me tanto! Quando voltei ainda estavam mais pessoas cá fora... Isso explica os meus vizinhos do lado não pararem com o entra-e-sai diário, a tasca continua como de costume.
Pouco antes tive uma pequeno incidente à porta da loja de informática, onde fui para trocar o cabo HDMi (ninguém precisa de um cabo HDMi normal<->mini?). Quando cheguei, estava um senhor a ser atendido à porta, portanto fiquei à espera na distância de segurança. Eis que aparece um senhor, com a máscara mal colocada, a penca toda de fora, a cirandar à porta da loja, numa tentativa muito pouco velada de me passar à frente. O senhor que estava a ser atendido pediu-lhe que respeitasse a distância de segurança e o homem afastou-se a contragosto. Aproveitei para dizer que também estava à espera para ser atendida. Resolveu implicar comigo, que era obrigada a usar máscara (está um letreiro à porta a explicar que só entram pessoas com máscara), ao que respondi que não ia entrar na loja, apesar de ter uma máscara, caso fosse necessário (que aliás usei no Lidl e no comboio). Ainda resmungou, mas acabou por dar meia volta e foi-se embora, para entrar no prédio em frente! :D
Conclusão, apesar da clara quebra de movimento na rua e de haver menos carros, muitas das pessoas com que me cruzo não respeitam a distância de segurança e por vezes até são mal educadas.

Tanta obra pela cidade fora! No meu percurso do Alto do Pina à estação de Entrecampos, passei por pelo menos 3 prédios em obras de remodelação, mais um punhado de obras mais pequenas. Não percebo onde encaixam as obras nos serviços mínimos, sobretudo quando não vejo nenhum dos trabalhadores com equipamento sanitário, para além dos capacetes. Não me parece que quarentena signifique que se pode aproveitar para fazer obras, do mesmo modo que não é estar de férias.
Para compensar, entre o ocasional cheiro a lixivia, senti o petrichor no Jardim Fernando Pessa (onde também havia obras!).

Como estava mesmo muito carregada, decidi voltar de comboio (sempre armada com o meu fiel lápis com borracha na ponta para carregar nos botões), a carruagem vinha va-zi-a, foi um descanso. Desta vez foi bom verificar que as drogarias e casas de ferragens estão abertas, nestas alturas há uma certa tendência para as coisas avariarem, é bom saber isso. Ah! E fiz umas máscaras, cosidas à mão, porque a máquina avariou, com chita de flores, vermelha com bolinhas brancas e algodão branco com malmequeres azuis escuros. Se temos de usar máscara, ao menos que seja com estilo! Vou por o link para os moldes na coluna aqui ao lado.

06 abril 2020

Secção Cascais - Semanas 1# e 2#




Fazer anos em pleno período de quarentena é uma daquelas experiências que, não sendo o acontecimento mais doloroso do mundo, não se recomenda a ninguém. Mas, perante as adversidades causadas por um vírus impiedoso, não resta grande hipótese que não seja a de aguçar o engenho para contornar (ou, pelo menos, suavizar) a negritude desta insólita situação. Assim sendo, um pequeno bolo de bolacha caçado durante a primeira incursão a um supermercado desde a oficialização da pandemia passa a ser o bolo de aniversário possível. Sem velas reveladoras da idade nem cânticos de “parabéns a você”, o bolo pode não ter a pompa e circunstância de um brigadeiro gigante mas, ao menos, é saboroso - e, nestes dias cinzentos que correm, a pequena alegria de um bolo saboroso é um bálsamo imprescindível para a nossa sanidade mental.


Desde o arranque desta maldita situação em que todos estamos envolvidos, fui três vezes ao supermercado para fazer as compras ditas essenciais. O primeiro embate com as filas de prateleiras quase completamente esvaziadas é desolador, o açambarcamento deixa-nos com uma selecção limitada e insuficiente e a apreensão é visível nos rostos e expressões corporais de todas as pessoas que caminham pelos corredores. Na segunda semana, porém, as novas visitas correram muito melhor: com as raras excepções de alguns itens, as prateleiras já não se encontravam delapidadas e as pessoas, sem perderem o receio e cautela que são completamente naturais numa altura destas, comportavam-se, geralmente, de forma exemplar, seguindo as recomendações de distanciamento social à risca - e, sobretudo, sem cair em pequenas implicâncias e tricas. Há, apesar de tudo, mais civismo do que os cínicos gostariam de admitir.


Entretanto, eu e o meu irmão fizemos uma espécie de passeio inadvertido à beira-mar quando, ao deslocarmo-nos de carro pela Marginal com o objectivo de ir buscar uma pizza à Pizza Hut da Parede, acabámos presos num longo engarrafamento que nos atrasou a chegada em cerca de meia-hora. Razão para a enorme aglomeração de carros: operação STOP com vista a despistar quem estava a sair de casa pelas razões consideradas aceitáveis pelas autoridades das pessoas que achavam que a maior ameaça à saúde pública desde a gripe espanhola do século passado não passa de uma picuinhice. Apanhámos um pequeno raspanete do agente da polícia que nos mandou parar por sermos duas pessoas num carro a ir buscar uma pizza quando uma é suficiente. Porém, lá nos deixou passar e seguimos com a lição aprendida: evitar a Marginal nestes dias de quarentena, mesmo que a vista seja magnífica. Quanto à pizza, estava morna mas tremendamente comestível.


No Twitter, um amigo escreve que os dias começam e acabam num instante, mas demoram a passar - um paradoxo doloroso que tenho sentido na pele. Uma pessoa parece que passa a viver para preparar as refeições do dia, lavar a loiça, ver os noticiários monotemáticos e adormecer. Fala-se na importância da manutenção de rotinas, mas a verdade é que a pandemia impõe as suas próprias. Felizmente, a arte e o entretenimento existem para nos salvar do tédio e da dor causada pela lenta passagem do tempo. Para não cair num name dropping longo e fastidioso, fica aqui uma única e sentida recomendação: um anime absolutamente brilhante dirigido por Masaaki Yuaasa (realizador do maravilhoso “Devilman Crybaby”) que dá pelo nome de “Keep Your Hands Off Eizouken!” e que está disponível para streaming gratuito no Crunchyroll. Trata-se de uma série sobre três miúdas japonesas muito peculiares que formam um clube de animação na sua escola secundária e descobrem, aos poucos, as dificuldades e alegrias que acompanham a criação de uma curta-metragem animada. Um verdadeiro hino à imaginação e ao processo criativo, sem subplots românticos ou os típicos clichês que pululam em boa parte da produção contemporânea de anime, é daqueles títulos que nos fazem ter vontade de derrotar a inércia e começar a criar. Haverá algo mais apropriado para estes estranhos tempos que vivemos?  


01 abril 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #3


"É só para clientes habituais."
Nestes tempos de quarentena Pó Calypsica, não me custa nada ficar em casa, o que custa é sair. Onde andam os dispensadores de comida do Star Trek?? Quero um, JÁ! Mas o ar fresco na tromba até que sabe bem. Na saída desta semana chovia. A potes. Finalmente vi a Alameda va-zi-a, os únicos transeuntes eram as pessoas que, como eu, faziam fila, distanciada, para o correio. Foi preciso chover e vir uma vaga de frio...

Ao entrar no Minipreço, tive a sensação que o segurança me ia dizer: "É só para clientes habituais.", qual segurança de uma discoteca no Bairro Alto, nos anos 90. Mas afinal só disse: "Pode entrar.". No Continente, voltei a pensar nisso. Será que os seguranças de supermercado são seguranças de discoteca frustrados?

As prateleiras nos supermercados já estão quase normais, álcool e sabão azul e branco ainda nem em sonhos, pão decente e flocos de marca branca dos mais baratos, o mesmo. Já estou a começar a coleccionar os ingredientes para o meu bolo de anos: já tenho a farinha, a manteiga, os frutos secos. Ainda falta o chocolate 70% e tenho de ir consultar a receita para ver se não falta mais nada.

Agora parece que há uma hora de ponta de vídeos live pelas internetes! Alguém arranje um programador para encaixar cada vídeo num horário diferente, por favor! Ou então os emissores que deixem os respectivos vídeos disponíveis para os vermos depois, qual box de TV.

Já acabei de ver Good Omens e estou a ver The Mandalorian, "now in a big screen near you!", graças ao cabo HDMi. QUERO aquela banda sonora! Estou a adorar! Pus os vestidinhos para Blythe, Stripey Emmapeelers, à venda no Etsy e vendi dois, já seguiram, e tive mais duas encomendas! Iée! Já só tenho 1 vestido e o resto de outro para terminar e depois passo às encomendas. Até porque os CTT agora só estão abertos de manhã e de manhã eu não existo... x_x

Estou a pensar em aventurar-me ao Lidl para a semana.

25 março 2020

Secção Alameda/Areeiro - Semana #2

A Vénus foi para casa


Abriu a época dos coronasaldos!

É impressão minha ou abriu a época dos coronasaldos? Ando a ser bombardeada por newsletters, anúncios e outras coisas, tudo a fazer promoções e saldos. Todos os meus eventuais futuros trabalhos foram adiados sem data prevista, estou em contenção de despesas!

Sou um animal de hábitos, como muitos, e esta situação de quarentena mudou muito pouca coisa no meu dia a dia. Contudo, não sou açambarcadora, não tenho nem orçamento, nem espaço para tal. Acontece que quando tudo isto foi despoletado (o que me vale é que a indecisão não é uma característica minha), não deixei de ser apanhada desprevenida, sobretudo com coisas que costumo sempre ter em casa: farinha, atum em lata, ovos, manteiga, leguminosas, arroz, massa, polpa de tomate e tomate pelado, cebolas, alhos, batatas. Desta lista, tinha muitas coisas que estavam a acabar, como farinha, cebolas ou tomate pelado, não foi fácil repor as faltas, esgotei algumas coisas no supermercado, como os ovos, e não consegui arranjar farinha T_T. Farinha será a minha palavra-chave neste Pó Calypso.
E depois vejo os meus amigos do feicebuque a gastar o que compraram para um período mais ou menos longo, incluíndo a famigerada farinha, em menos de uma semana. Pior, a colocar fotos de todo o tipo de alimentos com um ar mega saboroso e a fazer pirraça a esta cronista que é mais bolos! Ah é? Quando fizer anos vou fazer brownie e não ofereço a NINGUÉM!

Os vizinhos das obras por aí fora é que devem andar felizes agora. Desde que foi declarado o estado de emergência, que oiço um martelar abafado algures, nem sei como não é o meu vizinho do lado, pois o seu desporto preferido é acordar-me ao sábado de manhã com um berbequim. Não deve ter açambarcado materiais para fazer obras em casa. UFA!

A TAP finalmente reagiu, já pedi o voucher de reembolso. O carteiro voltou a não tocar à porta (não deve ter visto o filme), tentei ir levantar a encomenda, mas o correio mudou o horário, já não abre à tarde. Vou ter de sair amanhã de manhã para tratar disto.

Descobri uma segunda garrafa de álcool cá em casa, também a meio, mas o álcool não tem prazo de validade, não é? Agora tenho oficialmente uma garrafa inteirinha de álcool. Melhor, posso ter uma em cada ala da batcave (sem os benefícios). Yay.

Na TV, criei uma espécie de rotina: um episódio ou dois de uma série e pelo menos um filme. Isso também me ajudou a voltar a criar uma rotina para costurar e já acabei 2 vestidos e meio. Terminou Criminal Minds, a minha série policial preferida nos últimos 10 anos, mas a vida continua e comecei a ver Good Omens. Caras conhecidas, excelentes diálogos.  Descobri que há um punhado de filmes blaxploitation nos canais de cabo sem valor acrescentado, incluindo a Pam Grier e o Isaac Hayes. Agora com o cabo HDMi <=> HDMi Mini, vai ser uma alegria em grande ecrã!

O português escreve mal, dá erros ortográficos que não lembram nem ao Menino Jesus e da gramática nem se fala. Mas uma coisa que me tem ajudado muito a separar o trigo do joio no spam de notícias de que andamos a ser alvo, é que avisos com mau português, ou em brasilês e afins, perdem toda a credibilidade. Mas céus, tanto mau português!! Já ando a lidar melhor com as redes sociais, deixar de ler comentários em posts de estranhos, foi um grande avanço. Agora vou um pouco depois de acordar, um bocado ao fim do dia e vou fazendo uns intervalos curtinhos, mas já não estou agarrada ao telesperto o dia inteiro e tenho feito coisas.

Na minha saída semanal, a Alameda cheirava a piscina. Uma equipa com fatos de pintor, máscaras, etc., andava a desinfectar a zona da fonte luminosa. Finalmente a malta da jogatana foi saneada! Nem um nas redondezas e já não havia piqueniques na relva. Aliás, fora a equipa de desinfecção, não havia vivalma na placa central da Alameda.
O trânsito já lembra Lisboa em Agosto, há uns 10-15 anos, mas em todas as ruas por que passei, Alameda Afonso Henriques, Av. Guerra Junqueiro, Praça de Londres, Av. de Roma, Av. Óscar Monteiro Torres, Rua Edison, Av. de Madrid, Praça do Areeiro e Av. Afonso Costa, mesmo com o comércio fechado, cruzei-me sempre com pelo menos uma pessoa.
Finalmente arranjei farinha!! Os supermercados já estão mais ou menos normais, mas ainda há algumas faltas de tomate pelado, congelados e pão de jeito. Não sei se vou conseguir comprar pão de jeito durante o Pó Calypso (sem ser a preços exorbitantes em padarias da moda), já que mesmo em circunstâncias normais não é fácil. Entreguei as compras à mãezinha, desta vez consegui organizar-me melhor e não me esquecer de quase nada. Até fui ao Celeiro comprar-lhe um remédio. Esta semana vou fazer massa com tomate, pimento, cebola, bacon, mais picante! Se o bicho-19 resiste a tanto picante, resiste a tudo! X'D Sou capaz de fazer panquecas ou scones.

Pode ser que amanhã já tenha a minha encomenda!